8 de dez. de 2009

Um mergulho no ciclo três

Produção livre

Mergulhamos no terceiro ciclo como quem mergulha no mar pela primeira vez. Receosas, amedrontadas, vulneráveis... Vivemos uma temporada de muitos fatos, conhecimentos, histórias. Conhecemos professoras abnegadas, guardiãs... Aprendemos a retirar as pedras do caminho, a reivindicar nossos direitos, ultrapassar nossos limites. Nesse ciclo fomos arrebatadas com a voracidade e a sagacidade de muitos.

Houve momentos em que as palavras desapareciam e não sabíamos soletrar uma única que não fosse inclusão digital. Nosso foco era a perfectibilidade do conhecimento sobre inclusão. Fomos desafiadas. Gritamos em silêncio. Pensamos em desistir. Mas como diz Ivete Sangalo na canção “Quando a chuva passar”, “Fugir agora não resolve nada”. Foi com esse pensamento guerreiro que começamos a desbravar o blog, a lista de discussão, o moodle, o fórum, a revista A Rede, o projeto de inclusão. Aderimos à batalha em prol do conhecimento, do sucesso, da nossa valorização enquanto cursistas e professoras. Hoje, nossa ótica é que não era o declínio da atividade que facilitaria a nossa compreensão, mas sim a nossa compreensão e compromisso com a atividade que nos possibilitaria o conhecimento em contexto.

Nesse ciclo fomos tomadas por um fastio absurdo. Algumas coisas não apeteciam nossas vontades, nossas curiosidades. As rosas plantadas nos ciclos anteriores não tinham mais vivacidade, os raios cálidos do sol fizeram com que elas perdessem a magnitude, a beleza. O cheiro exalado de suas pétalas não mais inspirava paixões, encantamento. O ápice do ciclo foram os encontros de orientação, o gelit, geac, cine contexto... Nesses sim escalamos montanhas, viajamos para lugares inusitados, protagonizamos histórias, brincamos, sorrimos, passamos horas planejando, tirando dúvidas, ficamos apavoradas com algumas tempestades.

Segundo Ivete, “Quando a chuva passar, quando o tempo abrir, abra a janela e veja eu sou o sol, eu sou céu e mar, eu sou seu e fim, e o meu amor é imensidão”. É difícil falar da imensidão das coisas, dos fatos que fazem com que percamos o controle das nossas emoções. Essa canção esquartejou nossos sentimentos, nos fez refletir sobre o ciclo, nos tirou de órbita. A música nos fez compreender que os fenômenos da natureza e os ciclos da Universidade Federal da Bahia são muito parecidos. Na verdade eles são insubmissos, insubstituíveis, inegáveis.

O percurso pelo Ciclo Três nos fortaleceu. Aprendemos a abrir as janelas, compreendemos que o sol só vai nos aquecer se ficarmos expostas a seus raios quentes; que o mar, por mais extenso e furioso que esteja, não perde a beleza nem mesmo quando as ondas ferozes batem nas rochas ou no convés de uma embarcação. Nesse ciclo algumas palavras ficaram engasgadas. As lágrimas rolaram pelas nossas faces quentes e cada gota desenhava nosso semblante preocupado, estressado. Hoje, temos plena certeza que essa batalha insana, essa busca desenfreada pelo conhecimento é tudo que não queremos, mas é tudo que precisamos para continuarmos vivas.

No Ciclo Três mais uma vez fomos tatuadas. Os filmes, as palestras, as atividades nos deixaram marcas imensuráveis. Os desenhos ainda estão tímidos, camuflados, escondidos na pele inchada, machucada. Temos absoluta certeza que daqui a alguns dias, meses ou anos esqueceremos as dores, as dificuldades, as renúncias. Quando este dia felizmente nos abraçar, mostraremos a todos a obra de arte finalizada. Por fim, possibilitaremos que todos sejam capazes de entender as imagens tatuadas nesse tempo e nesse espaço transitado por nós nessa caminhada.

É impossível descrever tudo o que representou o Ciclo Três em nossas vidas, a eficácia do seu desenvolvimento em nossa formação. A Cada ciclo nos comportamos como vampiras. Sugamos tudo que está ao nosso alcance com uma sede incontrolável. Ainda não sabemos ao certo quais são nossas paixões, nossos amantes do mundo universitário, o que temos plena certeza é de que vamos continuar buscando as imensidões dos conhecimentos contemporâneos, teóricos, globalizados. Enfim, é em nome dessa ideologia de um país politizado, atuante e bem informado que gritamos: Que venha o Ciclo Quatro. Estamos de braços abertos, prontas para protagonizar os próximos espetáculos em nome desse conhecimento mutante e voraz. Porque, como diz Ivete: “A nossa história não termina agora”.

28 de nov. de 2009

Escola das estrelas


A dúvida foi minha primeira reação ao receber o convite para trabalhar na escola das estrelas, na verdade eu tive medo do novo, do que me reservava o destino. Estava vivendo momentos de conflitos profissionais, necessitava urgentemente conhecer outras galáxias, foi então que num gesto de bravura resolvi aceita o desafio.

O dia estava frio, o céu esfumaçava, as nuvens desfilavam como um pincel sobre uma tela ilustrando seus desenhos. Havia um clima de magia, era como se os anjos estivessem todos acordados impulsionando minhas ações. Embora o tempo estivesse gelado, meu coração estava quente, borbulhando de ansiedade. Lembro-me nitidamente quando cheguei à escola. Minhas pernas estremeceram, minhas mãos gelaram, meus olhos mudaram de cor. Movi meus passos silenciosamente e ao adentrar na escola das estrelas me senti parte daquele universo desconhecido.

Parece que o céu está constantemente presente nas dependências dessa instituição. Minha ótica do telhado é sempre a vastidão do céu azul, esplêndido cheio de encanto e de mistério. Há sempre um colorido nas paredes, um sino singelo anunciando as canções, querubins cantando, estrelas brilhando, anjos dançando. Uma sinfonia perfeita. As estrelas se olham, se apaixonam, confraternizam-se, entrelaçam as mãos, oram, rezam, não importa a religião.

Na escola das estrelas não temos deuses, dono da verdade, senhor absoluto de nada, cada órgão, cada partícula do individual favorece o funcionamento do todo. Os anjos estão sempre agitados, rompe as manhãs confidenciam suas histórias. Alguns são aventureiros leva tudo na brincadeira, outros são sensatos se dedicam com a obstinação dos sacerdotes, temos anjos românticos, solitários, carentes, solidários... Cada um com sua singularidade, mas todos aprendizes.

Mesmo quando surgem as tempestades tudo sempre acaba bem,Nessa escola de estrelas todos são celebridades. Gosto de fazer parte desse universo, mas sou loucamente apaixonada pela escola das comandantes. As duas são muito diferentes. Uma apetece, outra provoca fastio, uma reverencia as estrelas, outra espera sentada o naufrágio do barco. Ficou confuso? É simples! Amor não se explica. Não posso soletrar o que sente minha alma, pois, são muitas as sensações. Só tenho uma convicção, renegar a quem amamos é como arrancar a golpes violentos de faca o coração.

A roda do sucesso gira na escola das estrelas, porque todos estão sempre dispostos a cooperar. As estrelas que compõe esse céu possuem luz própria, não necessita de brilho dos vizinhos para sentirem-se iluminadas. Flexíveis, observadoras, versátil, verídicas... Transbordam raios iluminados, desempenham suas funções com comprometimento, são donas de seus caminhos, pois sabem que são através deles que anjos passeiam.

27 de nov. de 2009

Inclusão Digital

O tema da inclusão digital ultimamente está sendo bastante discutido na sociedade a qual estamos inseridos, não está somente dentre as linhas de ações propostas pelas instituições educativas, mas também vai ao encontro de diversas ações dos governos federal e estadual e municipal, criando políticas públicas que visa desmistificar a cultura digital. Portanto, a inclusão digital é como uma prioridade dentro da política pública do país, pois a alfabetização digital vai depender também da ação do Estado. Assim, estamos tratando o acesso à informação de um fator-chave na luta contra a pobreza, a ignorância e a exclusão social do nosso país, que é a inclusão digital. Segundo (SILVEIRA, 2005). “Uma definição mínima de inclusão digital passa pelo ingresso ao computador e aos conhecimentos básicos para utilizá-lo”.

Através do GEAC Inclusão Digital, elaboramos um projeto que visa oferecer o acesso a rede de informação e comunicação a uma comunidade carente desse tipo de cultura. Entretanto, sabemos que incluir digitalmente, não é apenas ensiná-los a usar o computador, mas melhorar as condições de vida de uma determinada comunidade. Através da democratização do acesso e com ajuda da tecnologia disponível buscam-se a integração entre educação, tecnologia e cidadania, visando a transformação social. Veja mais no Projeto Paraíso Digital.

24 de out. de 2009

A escola das borboletas


Faz tempo que essa escola sofre maus tratos, abandono. Antes de conhecê-la tinha plena convicção que as pessoa que compõe aquela família eram tristes, melancólicas. Imaginava que por traz daquele muro alto, solitário daquela estrutura de concretos, areia e cimento estava um ambiente tétrico, terrificante, gelado, sem vida, sem respiração, asmático...

Um dia resolvi exorcizar os fantasmas do ilusionismo. Entrei nas dependências e conheci a realidade de perto. A escola das borboletas é super diversificada, os cômodos não são tétricos, mas o pouco ar que circula no ambiente nos deixa com o nariz repleto de coriza, com os olhos avermelhados devido à falta de ventilação. Os momentos em que estou presente na escola não me deixam apenas deslumbrada, nem totalmente indignada, sou invadida por inúmeras sensações que penetram avassaladoramente minhas concepções.

Meus olhos parecem uma luneta giratória. Esmiúço, esquartejo todos os espaços, sou uma qualificada detetive de Hollywood. Embora o bosque não seja tão encantado tenho o privilegio de conviver com muitas borboletas cuidadosas, algumas ainda permanecem no casulo com medo de voar, outras são ousadas, malandras, rebeldes, nervosas. As borboletas verdes borrifam suas flores constantemente, a ela não interessa se elas sejam cobertas de espinhos ou se suas pétalas são macias ou ríspidas. Pessimistas as borboletas pretas são cíclicas uma vez ou outra estão sempre com os mesmos discurso sobre seus jardins.

Colossal a borboleta lilás cuida de suas rosas de forma solícita, para ela seu jardim é um espaço trifásico. Ainda tem as borboletas alaranjadas como o pôr do sol que gostam de tripudiar sobre os vegetais, animais, sobre as flores, o beija-flor. Seu sentimento de superioridade é digno dos piores dos sentimentos. O bom mesmo, o trivial de tudo é contemplar a beleza das flores, das rosas, as gramas brotando com uma extensão de vida inigualável. Algumas flores vivem tristes, algumas rosas já não exalavam seus perfumes agrestes e seus espinhos espetam quem chega perto. Tenho a impressão que algumas borboletas não mais sobrevoam seus jardins nem pousa em suas flores. Alguns jardins não são mais felpudos, as borboletas responsáveis pela divulgação de sua magia não mais borrifava gotas de orvalhos em suas pétalas.

As estações em que a borboletas se reúnem para falarem das belezas e devastações de seus jardins são sempre muito sem graça, cada uma expressa sua liberdade de opinião , mas nenhuma é levada a sério pela a borboleta rainha que reina absoluta e intocável. Tem borboletas que fazem vôos espetaculares para mostrarem seus objetivos, suas dúvidas, seus problemas, nesse momento todas voam para ajudá-la mais nenhuma é capaz de compreende e solucionar seus problemas, porque no fundo estão todas centralizadas nas suas próprias asas e no embelezamento de seus jardins.


Cidades Invisíveis


Cidades invisíveis de Italo Calvino é uma obra muito envolvente e nos faz refletir sobre várias situações. As cidades são apresentadas com minúncias de riquezas. Cada capítulo, cada linha, cada página é uma surpresa maravilhosa. A leitura desse livro nos chamou a atenção para algumas questões das escolas e tem nos ajudado a compor os textos sobre as escolas invisíveis da rede municipal de Irecê.

Grupo de Estudo Lierário






Eu não tenho o hábito da leitura, eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento.
Ariano Suassuna.

O livro é imprescindível na vida do homem. Quando alguém se dedica ao fantástico mundo da leitura, está se dando ao prazer de desbravar o universo. Ler implica uma série de vantagens, testemunhar histórias, ser protagonistas de algumas, vilã em outras, mas em todas descobrir algum sentido, acrescentar vivências, desejos, emoções... A leitura é um palco de descobertas, uma forma de renovação. Segundo Paulo Freire (2006, p. 86), "Uma das qualidades mais importantes do homem novo e da mulher nova é a certeza que têm de que não pode parar de caminhar e a certeza de que o novo fica velho se não se renovar". É com essa certeza que mantenho uma relação intima com os livros, através deles conheço belas cidades, pessoas, etc.

O curso de pedagógia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tem nos oferecidos inúmeros desbravamentos, cada ciclo nos deixam cara a cara com lindas histórias, foi assim com A menina que roubava livros, A distância entre nós e agora com Odisséia e Cidades invisíveis. Mas o fato é que os preguiçosos não lêem um simples artigo, enquanto os amantes insaciáveis da literatura ficam com o coração dilacerado todas as vezes que um livro é covardemente tirado de suas mãos. A separação chega a ser um massacre. Os olhos ficam embriagados de lágrimas, o cérebro fica esclerosado, as mãos gelam, as pernas perdem a coordenação, a boca fica seca e os ouvidos perdem a sensibilidade, enfim tudo perde a beleza, o encanto, a fascinação.

Referências
FREIRE. Paulo. A importância do ato de ler: Em três artigos que se completam. 48 ed. São Paulo, cortez, 2006.

18 de out. de 2009

A escola é um lugar ruim?


O GEAC tensões na escola é extraordinário, os textos descutidos são fabulosos e nos provoca constantimente, o texto de Gabriel Perissé "Mas o que é a escola" transformou nossos pensamentos em um terremoto. Enquanto educadora vejo a escola como um espaço de descobertas, um espaço que nos possibilita troca de conhecimentos... Porém ao longo dos anos a escola vem perdendo a solidez e o caráter educativo, está cada vez mais difícil continuar casado com a educação.
Mas o que será que acontece hoje com a educação no nosso país? Porque tantos professores deprimidos? Porque tantos professores estão procurando se inserir em outros contextos para fugir da sala de aula? Qual o papel que cada um de nós enquanto sociedade podemos desempenhar dentro das escolas? Várias demandas tem contribuido para a migração da escola do seu local encantado, para o endereço da desordem, uma delas é a falta de compromisso dos governantes que tem transformado a escola em um depósito de empregos políticos com ênfase partidária.
Infelizmente não dar para mentir, criar utópias, a realidade é nua e crua, a escola estar doente, se demorarmos muito a encontrar a cura para seus male, o que veremos nos próximos anos é o seu corpo em estado de decomposição. O que nos resta enquanto educadores é continuar brigando pela melhoria da educação, rezar para que os governantes compreenda e assegure que o espaço escolar seja um ambiente acolhedor e com educação de qualidade para todos.